Semente Semanal #15 Pranchas Pioneiras

Pranchas Pioneiras

Semente Semanal #15 Pranchas Pioneiras

Na hora em que nós surfistas resolvemos fazer uma queda, sempre nos vem algumas dúvidas na cabeça, sempre nos perguntamos se tem parafina, se precisamos por um long john ou apenas um colete salva, e até mesmo qual a prancha ideal para o mar de hoje.

Hoje em dia nós não precisamos nos adaptar a determinada prancha, a prancha que acaba se adaptando ao surfista. Hoje podemos pedir para um bom shaper fazer a prancha dentro das medidas e pesos que acharmos melhor. A tecnologia, e o talento dos fabricantes, que veio se aperfeiçoando com o passar dos longos anos, nos permitem essa facilidade, mas, com certeza sabemos que nem sempre foi assim.

Você consegue se imaginar dropando aquela vala perfeita que está vindo prontinha pra você com uma prancha feita de madeira, pesando oitenta quilos, com incríveis quatro metros de altura, e sem nenhuma quilha?

Seria um drop histórico!

Mas essas eram as condições nos anos de 1920, e pode acreditar que o surf rolava. Em todo mundo as pranchas eram feitas de madeira e tinham sempre o tamanho de um longboard, se fossem menores, não seriam pranchas, afundariam apenas como pesados tocos de madeira. Nos tempos antigos na Polinésia, apenas os reis e seus parentes tinham o direito de surfar em pranchas grandes, já os súditos tinham que se virar e arrumar uma prancha pequena, era uma tremenda distinção social.

Semente Semanal #15 Pranchas Pioneiras

No Hawaii as pranchas não eram diferentes. Mas imagine morar no paraíso do surf, viver a dois paços das ondas de Pipeline, e ter que tentar correr e deslizar com um pranchão mais pesado do que você.

Semente Semanal #15 Pranchas Pioneiras

Wally Froiseth e John Kelly eram dois surfistas da época que decidiram que isso tinha que mudar. Mudaram o formato da rabeta das pranchas, e a deixaram mais estreitas, criando assim um novo formato de rabeta, chamado de Hot Curl, hoje conhecido como Guns.

Vendo que a idéia de mudar algumas coisas na prancha deu certo, logo em seguida os dois brothers começaram a fazer pranchas com a rabeta em formato “V” , o que dava mais ângulo às pranchas, deixando elas com mais direção, e facilitando o controle da prancha.  Dessa forma, começaram a surgir manobras inesperadas, que o surf jamais havia imaginado.

Estava começando a evolução das naves.

Semente Semanal #15 Pranchas Pioneiras

Com a difusão do esporte pelo mundo, muitos surfistas começaram a desenvolver suas próprias pranchas. Um desses caras era Tom Blake. Blake foi quem teve a idéia de fazer uma prancha com madeira oca, pois pesaria menos, então fabricou a primeira Hollow Board. As pranchas ocas foram acessório por um bom tempo, mas como a evolução nunca para, ela ficou para trás quando alguns surfistas havaianos começaram a aparecer com pranchas feitas do mesmo material usado em balsas. Era muito mais leve, o surf era outro!

Nessa época, o mundo também estava conhecendo a sua primeira grande guerra entre nações. A tecnologia que surgiu na época da primeira guerra mundial ajudou muito todos os surfistas. Para a fabricação dos aviões de batalha, foi criada uma nova cola para colar madeira que seria totalmente resistente à água. Era perfeito para o surf! As pranchas começaram a tomar tamanhos e medidas extremamente variadas.

Já na década de 1940, vieram novas descobertas científicas, algumas delas eram a fibra de vidro e a resina. Depois de alguns anos, o surfista californiano Preston “Pete” Peterson foi o primeiro no mundo a fazer uma prancha de fibra de vidro. Apesar da nova criação, as pranchas de fibra eram muitos raras, o projeto não conseguiu ir adiante, já que na época os americanos viviam no período conhecido como Guerra Fria, onde os Estados Unidos tinha medo de seus novos produtos desenvolvidos fossem copiados pela até então União Soviética. Os profissionais que criavam as novas pranchas tinham que fazer isso às escondidas.

Até o final dos anos 60 as pranchas não evoluíram muito, e continuaram assim até o ano de 1976, quando o australiano Mark Richards inventou a biquilha. Era uma prancha muito mais leve e rápida, que permitia manobras extravagantes e ágeis, perfeita em mares de ondas não muito grandes. Pensando nisso, o australiano Simon Anderson criou as pranchas triquilhas, possibilitando um surf mais seguro em ondas grandes.

O futuro das nossas pranchas é, e sempre será uma incógnita, já que a tecnologia se supera todos o dias, e não para de evoluir. Enquanto isso, nós surfistas vamos estar sempre felizes e satisfeitos com o que temos. É bom preservar, e sempre se lembrar que o surf é uma arte, e a verdadeira essência dessa arte é ser feliz junto ao mar.

Árvore Surf

Fortalecendo o verdadeiro espírito do surf.

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