Semente Semanal #16 Ararinha Azul

Ararinha Azul

Em 1819, o zoólogo Johann Baptiste Von Spix e o botânico Karl Friedrich Philipp von Martius lideravam uma expedição científica pelo Brasil. Quando passaram pela Caatinga, na região de Juazeiro, na Bahia, os pesquisadores alemães observaram uma ave semelhante a uma arara-azul, mas com a metade do tamanho. Ela possuía asas estreitas, cauda longa e um vôo característico. Claramente se tratava de uma nova espécie: a ararinha-azul.

Semente Semanal #16 Ararinha Azul

No filme, a arara Blue, que mora nos Estados Unidos, descobre ser a penúltima da espécie. Precisa viajar ao Rio para conhecer a única fêmea e ter filhotes com ela. Na vida real, a situação é parecida.

O Projeto Ararinha na Natureza, associação entre o ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) e empresas, luta para salvar a ave:

 “Precisamos ter 150 ararinhas em cativeiro para que possamos soltá-las”, explica Ugo Vercillo, coordenador do ICMBio e do projeto Ararinha na Natureza, criado em 2012.

 “É importante que sempre tenhamos ararinhas em cativeiro, como uma poupança. Para isso, é preciso que nasçam 30 aves em cativeiro por ano. Atualmente, nascem sete.”

 Grande parte do esforço vem da fundação Al Wabra, no Qatar. Lá vivem 67 ararinhas.

“O Brasil precisa ter mais ararinhas se reproduzindo para que possamos enviar as nossas ao país”, diz Tim Bouts, diretor da Al Wabra. Desde 2004, 40 nasceram na fundação.

O objetivo dos países que guardam as aves é o mesmo: fazer com que tenham filhotes para que possam voltar ao habitat natural. Como em “Rio”, as ararinhas se apaixonam. Costumam ter só um namorado ou namorada na vida. A reprodução nos cativeiros só ocorre quando as aves encontram seus parceiros. A previsão é que em 2021 elas possam ser soltas.

A ararinha-azul é uma espécie de ave endêmica do Brasil. Ou seja, é aquela espécie que é considerada típica de uma determinada região, sem ser encontrada em qualquer outra. Ela é uma das espécies mais ameaçadas de extinção do planeta e símbolo mundial da importância da preservação da biodiversidade.

No ano de 2000 foi extinta da natureza, deixando o azul do céu mais vazio – não há mais nenhuma ararinha-azul voando em seu habitat natural, a Caatinga, bioma endêmico do Brasil.

Já que a possibilidade de existirem novos indivíduos na natureza é muito remota, o aumento populacional em cativeiro é a única esperança de salvar as únicas 80 ararinhas que estão espalhadas em cativeiros no Brasil, Alemanha, Qatar e Espanha.

Elas desaparecem por 2 motivos: tráfico de animais e a degradação do habitat onde viviam.

A comercialização de animais é um dos negócios mais lucrativos do mundo, perdendo apenas para o tráfico de drogas e de arma – e também, um dos mais perigosos, já que a cada dez animais retirados da natureza, apenas um sobrevive. Os destinos desses animais são zoológicos, colecionadores, laboratórios para fabricação de medicamentos, ou mortos.

Semente Semanal #16 Ararinha Azul

Existem dois cativeiros brasileiros, ambos no interior de São Paulo. Os locais não são revelados, para evitar que as ararinhas sejam roubadas por traficantes de animais silvestres.

Os animais, depois de capturados, são submetidos a várias práticas agressivas durante o transporte para os centros consumidores, as aves, por exemplos, são covardemente sedadas e escondidas em tubos de PVC no fundo de uma mala.

Conforme dados do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), aproximadamente 90% dos animais silvestres morrem logo depois de retirados de seu habitat natural.

Além da grande variedade de espécies, outro fator que contribui para essa prática no país é a falta de fiscalização e de punições severas. Traficantes são presos em flagrante várias vezes com diversos animais, no entanto, pagam fiança e respondem processo em liberdade.

Vejam algumas curiosidades sobre as ararinhas:

  • Gostam de voar em pares ou em grupo.
  • Os casais são fiéis e dividem as tarefas de cuidar dos filhotes.
  • Nos fins de tarde, se reúnem em bandos em árvores “dormitório”.
  • Aos sete anos a arara-azul começa sua própria família.
  • Em média, a fêmea tem dois filhotes, mas em geral, só um sobrevive.
  • Ela passa a maior parte do tempo no ninho, cuidando da incubação dos ovos.
  • O macho se responsabiliza por alimentá-la.
  • Na época de incubação, 40% dos ovos são predados por gralhas e tucanos, entre outras aves, ou por algumas espécies de mamíferos, como o gambá.
  • Passados aproximadamente 28 dias, o ovo eclode.

Fortaleça a vida rara da Natureza. Fortaleça o verdadeiro espírito do Surf.

Texto por: Bia Paiva

Árvore Surf  Brasil

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