Semente Semanal #25 Proteção das Florestas

Hoje, dia 17 de julho é considerado o Dia da Preservação das Florestas. Passamos por muitas eras, histórias, mitologia, revoluções, ascensões, destruições, e alguns podem falar também em “crescimento”. Crescimento da onde? De quem?

O início de tudo, tão misterioso, muito além de Adão e Eva e todas as teorias possíveis existentes, só podemos ter certeza de alguma coisa: bem antes de nós, e eu digo bem antes de nós, elas estão aqui. Cada ser vivo que brota da terra tem história milenar e presenciaram e viram os melhores e piores momentos da história do planeta Terra, e sempre ali, firmes e fortes, falando por alto. Até que chega um ser estranho, cheio de vontades e ambições, recém nascido na história toda, parecendo se esforçar ao engatinhar em plenos anos 2000, com a idéia de ser maior do que TUDO, podendo mandar e desmandar em TUDO, se fazendo Rei, na pior hipótese possível, parecendo ao menos lembrar que somos como os filhos mais novos dela, a Natureza, que grita por si só por um mínimo de respeito, mas a surdez é maior do que TUDO, só não é maior do que a idéia de Poder e Comando exercido por fontes cerebrais duvidosas, e da onde será que vem essa energia mesquinha e egoísta? falando por alto.

Uma citação pra fechar: “Tira a mão da consciência e meta, no cabaço da cabeça.” Arnaldo Antunes

TODO DIA É DIA DE PRESERVAR A NOSSA VIDA.

ACORDA!

Rafael Palmieri

Árvore Surf

Fortalecendo o verdadeiro espírito do Surf.

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Semente Semanal #24 A visão

Passamos por tantos detalhes durante cada dia de nossas vidas que as vezes deixamos escapar coisas que podem nos fazer respirar e pensar melhor no meio de toda correria que nos cerca. A cada passo e a cada fresta do concreto que muitos dizem que veio da evolução destrutiva do homem, lembre-se que existe algum presente da Natureza, gritando por um espaço. Perceba que a cada espacinho disponível, existe uma pequena planta gritando por um espaço, o mínimo que seja, a valorização de cada detalhe muda nossas vidas com um novo olhar que pode surpreender singelamente nos deixando mais leve em pensamentos e atitudes. Repare em cada árvore que você passa durante todo seu dia, que provavelmente são muitas, que passam despercebidas e parecem imunes a todo mal que os seres humanos vivem. E ainda acham ruim quando elas se espalham e as matam, cortando pois estão “atrapalhando” a “vida” humana, sem ao menos lembrar que elas estavam aqui muito antes de nós. E ainda pensamos que estamos os mais corretos do mundo, ah mas tudo bem né, é copa do mundo no Brasil…

Re-pense.

Rafael Palmieri

Árvore Surf

Fortalecendo o verdadeiro espírito da Natureza.

Semente Semanal #23 Alma Salgada

Me faço mar. Sou amor e vivo seguindo tudo de mais belo que a natureza me proporciona. Toda simplicidade que possibilita o alcance das energias mais vivas que já encontrei, por todos os cantos onde deixo e recebo a vibração mais forte que me alcança por todos os lados. Revirando para encontrar um espaço de paz no meio do caos atual que domina a mente e as atitudes da grande massa, lembro e sorrio, meu privilégio está aqui, agora. Imensidão azul que completa o céu e desbrava cantos jamais vistos pelo olhar humano, que nem parece querer saber o poder que carrega consigo, que pode ser usado para todas as intenções existentes, mas espero que o bem prevaleça. Muito longe de qualquer utopia de felicidade, mais perto da raíz do planeta.

Bem antes de nós, e eu digo, bem antes de nós. A energia que te atrai e purifica, acalma cada agitação mental com simplicidade única. Valorizo cada segundo junto à você, que me diz tudo que preciso saber agora. Humilde relação que vai além de qualquer sensação vivida pelo ser humano, que parece estar tão perdido. Corro pelo Rei tempo, faço a grande escolha e sigo. Minha alma sorri, minha alma é paz, minha alma é você. Com pura gratidão. Salve a Natureza.

Aloha!

Rafael Palmieri

Árvore Surf 

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Semente Semanal #22 Hawaii e sua Cultura

Semente Semanal #22 Hawaii e sua Cultura

A grande maioria das pessoas que conhecemos, quando escutam a palavra “Hawaii” logo pensam no surf e nas ondas gigantes. E não tem como pensar diferente.

É mais do que normal existir essa conexão, já que é lá um dos berços do esporte no mundo e a casa de muitas feras do surf.

O mais irado, é que além do surf, as ilhas do Hawaii guardam muitas curiosidades que pouca gente no mundo sabe.

Hoje o Árvore Surf vai falar um pouco sobre a cultura desse lugar paradisíaco.

Semente Semanal #22 Hawaii e sua Cultura

O povo Havaiano tem uma filosofia de vida muito curiosa extraída de seus descendentes. Para os havaianos, não vale a pena pensar no passado e muito menos no futuro. Para eles, a vida acontece no presente, no agora. A língua havaiana fica longe de ser um idioma, é na verdade um raciocínio linguístico. Cada palavra é uma base para vários significados, como por exemplo, o termo bem conhecido “Mahalo”, que significa respeito, e também é um termo usado para dizer obrigado, dizer que tem admiração por alguém ou algo, e é até mesmo um simples elogio. Nenhuma das palavras havaianas tem ligação com passado ou futuro.

É realmente uma cultura bem diferente do que estamos acostumados a viver na grande maioria da sociedade.

Tarefas como plantar, colher, construir e surfar, por mais diferentes que sejam, para os havaianos, são todas tarefas de um plano espiritual chamado de “segundas intenções”. Com essas tarefas fazendo parte do dia a dia, o havaiano se sente completamente realizado, pois assim eles conseguem encher o seu corpo e alma com uma energia metafísica que eles chamam de “MANA”. Essa energia é quase ignorada pelo mundo Ocidental, mas é vista também através de outros nomes no lado Oriental do planeta, como na China e na Índia.

O modo dos havaianos viverem, priorizando o estado físico e mental do agora, caminha lado a lado com filosofias de vidas defendidas por líderes espirituais como Eckhart Tolle, Deepak Chopra e Dalai Lama.

Todo esse conceito faz parte de uma Psicofilosofia Huna, onde seus princípios básicos são não ferir, isto é, não causar nenhum tipo de mal a você mesmo, aos outros e à natureza.

Essa maneira de pensar realmente é admirável.

Qualquer ação que fazemos na vida depende de uma intenção, assim, a intenção acaba sendo a Mãe de todos os problemas e virtudes que acontecem.  É na intenção que está tudo o que praticamos na vida, é nela que devemos focar nossa atenção para não cairmos na omissão ou no excesso que nos levam ao desequilíbrio físico ou mental. A intenção é a base para que possamos crescer e evoluir na constante busca da felicidade. Essa é a filosofia Huna, filosofia que tem ensinamentos que nos ajudam na busca da felicidade de uma maneira mais suave e simples, deixando de ser o sofrimento, o paradigma para o crescimento e evolução.

Bem diferente do que estamos acostumados,  a cultura havaiana é um ótimo exemplo de como o mundo poderia funcionar baseado no amor e no respeito. Além das ondas desenhadas com perfeição, o paraíso do surf pode nos dar grandes ensinamentos sobre a vida.

Semente Semanal #22 Hawaii e sua Cultura

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Hawaii e o localismo – por Sidão Tenucci

O Hawaii é conhecido como um dos lugares mais inóspitos, senão o mais, no que diz respeito ao chamado localismo. Pode se ouvir os dentes cariados rangendo quando se passa pelos locais. Dificilmente ouve-se o velho e querido “aloha”, principalmente no inverno do North Shore.

Quando chegamos lá pela primeira vez, em 1975, ainda não odiavam os brasileiros, pelo contrário. Só para citar um exemplo quase inacreditável: eu deixei de apanhar exatamente por ser brasileiro. E pensar que, poucos anos mais tarde, o cara tomava porrada fora da água mesmo, só por ser brazuca e estar, incauto, andando na calçada perto do Kammieland Supermarket.

Num segundo momento a galera do jiu-jitsu brasileiro virou o jogo e passou a comandar, e, assim, até hoje, foram alternando-se as vísceras do poder na zona mais disputada de ondas do mundo.

 Como no Oriente Médio, ainda não se vislumbra paz duradoura à vista.

 Mas, voltando a 75…

Hawaii e o localismo  - por Sidão Tenucci

Cena 1 – Pipeline 8 pés. Fim de tarde com off-shore perfeito. Como diria o Picuruta: “cabia uma kombi” no tubo, com o “capô de fusca da Rita Cadillac e tudo”. Ainda não estávamos muito ambientados no pico. No máximo vinte surfistas disputavam o line-up. Ótimo para o padrão de crowd da época.

O cheiro de coral sempre onipresente não nos deixava esquecer de quem morava lá embaixo e de que o aluguel poderia estar pela hora da morte. Consegui, depois de ralar um pouco na turbulência do inside, contornar a zona de impacto, arrastado pela correnteza que corre paralela à praia levando de volta ao mar todo aquele volume de água trazido pelas ondas.

O oceano inteiro se movimentava lá fora. Quando entrava a série parecia que o horizonte vinha marchando contra nós. Não era nada parecido com as ondas do morro do Maluf, que eu tinha acabado de surfar algumas semanas antes no verão do Guarujá (SP).

Lá, eu dava uns off-the-lips irados, olhando para o lado cheio de chinfra, munido de uma 5’10” biquilha meio arredondada. Aqui, no inverno havaiano, segurava a onda na cautela e com curvas bem conscientes feitas com uma Barry Kanaiaupuni 8’0″ gunzeira total, borda semi-faca.

Já tava meio escolado, mas ainda não descolado. A rotina era surfar todo dia de manhã Sunset ou Pipeline, e, à tarde, para refrescar a tensão, Jock´s Reef, Laniakea, Kahuku ou Mokuleia – quando rolava o on-shore Kona Wind.

Esse procedimento diário nos dava uma razoável segurança de que sabíamos o que estávamos fazendo – embora até hoje eu suspeite que no Norte Shore de Oahu ninguém nunca soube ou sabe exatamente o que está fazendo.

Cena 2 – Veio uma série. Gerry Lopez na água. Jackie Dunn. Rory Russell. Ken Bradshaw. Os caras. Locais. Donos do pico. Só faltava seus nomes estarem gravados nas cabeças de coral, e seus bustos esculpidos por lá, se é que não estavam.

Tinha a história de que o Lopez havia tomado uma vaca e entalado a cabeça entre dois corais no fundo. Diziam que demorou para, com cuidado, desatarraxar o bigode e o crânio já famoso e subir à superfície. Lenda? Todos juravam ser verdade.

Naquela tarde, no entanto, ele reinava sóbrio e zen como sempre. Passaram umas cinco ou seis séries e eles, os rapazes do North Shore de Oahu, surfaram todas. Não sobrou nem a rebarba. A impressão que dava é que naquele dia não havia ondas intermediárias, só as da série.

Foi crescendo uma vontade dentro de mim de dropar uma daquelas. Cansei de boiar. Fui ficando com o saco cheio de ser mero espectador daquele majestoso espetáculo da natureza. Um fogo no estômago ficou queimando e me atiçando. Parecia que todo o meu corpo estava eletrificado.

O barulho das ondas quebrando e os gritos eventuais de um deles ao incentivar o tubo do outro só piorava a sensação, instigando-me ainda mais. Eles se juntavam no outside num grupo fechado e, quando vinha a série parece que havia um acordo tácito de dividirem o bolo para não sobrar nem a vela para os haoles, como eu.

Mas dessa vez veio uma série com um tempo um pouco menor de intervalo, o que fez com que vários deles ainda estivessem remando de volta. Ou era agora ou nunca.

Passou a primeira e fiquei impressionado com a naturalidade e fluidez com que Lopez foi remando para ela, e, principalmente, com a reação de todos no caminho, do mais franzino até o havaianão mais parrudo, que iam tirando o bico sem vacilar.

O cara era magrinho, mas tinha autoridade. Emitia uma certa força intangível. Dropou com leveza e sumiu down-the-line. Veio outra e um outro havaiano que eu não conhecia botou pra baixo sem pestanejar. Na terceira deu uma certa hesitação na galera e eu decidi: é minha.

Cena 3 – Remei com toda a garra, a vontade e o saco cheio da longa espera que pude reunir. Estava um pouco mais embaixo, mais para o inside, em boa posição. A Kanaiaupuni 8’0″ respondia bem à remada e eu pude sentir quando a onda me levantou e, sem chance de volta, me jogou para baixo.

Não vi mais nada. O vento off-shore injetou água salgada até na medula das minhas córneas. Quando cheguei na base, tirei a água dos olhos com as costas da mão direita e fiz a curva. Só aí ouvi um grito vindo de trás de mim.

Um cara, que depois eu vim a saber, era o Rory Russell, tinha dropado atrás do pico e vinha pegando desde lá embaixo. Pipeline não admite vacilo. Mesmo se eu o tivesse visto alguns segundos antes, não poderia puxar o bico senão iria over-the-falls com certeza. Sair por dentro da onda, daquela massa d´água, nem pensar: beijar os corais não era a minha idéia de sexo selvagem.

Fui manobrando o mais rápido que pude e surfando a onda inteira com ele atrás quase até a praia. Tirei no final e voltei remando para o outside. Ele veio me xingando o tempo todo. No caminho, só para piorar, o fotógrafo Aaron Chang, se não me engano, que estava boiando com sua máquina fotográfica no canal, e que gostava de fazer um tipo marrento, juntou-se a ele nos impropérios.

Não vou traduzir o que disseram para não ferir os ouvidos dos leitores. Sentei lá fora e os dois, mais uns três outros que eu não conhecia, me cercaram com cara de nenhum amigo. “Fuck” prá cá, “fuck” prá lá, e eu, quieto. Antes de vir a primeira porrada, um deles teve a delicadeza de perguntar: “Where are you from?”. “Brasil”, eu disse, tentando, com algum esforço, incluir o “z” na palavra para não soar tão alienígena.

Acreditem se quiser: foi a salvação. Olharam-se como se não soubessem onde era isso, resmungaram mais alguns minutos entre eles e, para minha surpresa, com um pouco de hesitação, mas aparentemente pacificados, me liberaram dizendo: “Don´t do this anymore!”. Eu falei: “Ok. Sorry”. Tipo “não falo inglês”.

Vinha de um país exótico, ainda desconhecido e tinha realizado a mágica de acalmar os ânimos borbulhantes dos locais. Daquele dia em diante, antes de remar para a onda, eu olhava duas ou três vezes para ver se não havia nenhum infeliz vindo lá do fundo dos infernos.

E assim, o resto daquela temporada surfei para cacete em tudo quando foi pico. Fizemos uma banda de música brasileira que agradava bastante as locais, arrumei uma namorada havaiana, e o resto foi só alegria. Só de lembrar cada um daqueles momentos me dá um calor gostoso no peito. A adrenalina das imagens e a felicidade adquirida e estocada durante aqueles três meses no inverno havaiano duram até hoje.

P.S.: Uma das “ofensas”, em tom de ironia, que Rory Russell dirigiu à minha pessoa enquanto remávamos de volta ao line-up foi: “Vai!, agora vai poder dizer que surfou Pipeline!”. Sim, Rory, thanks, é verdade. Muitas vezes e muitas vezes. Inclusive hoje!

Sidão Tenucci é diretor de marketing da OP Ocean Pacific, viajou 50 países para descobrir que a resposta não está nem na estrada, nem na cultura, nem nas mulheres, nem nas ondas. É autor dos livros Almaquatica (Livraria Fnac) e O Surfista Peregrino, nas livrarias Cultura, Saraiva, da Vila, La Selva e Argumento, Leblon (RJ).

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A caminho de Nova Delhi – por Sidão Tenucci

Agora entendi! O Peregrino enviou esta última carta antes de ir para a tal ilha. Ele ainda estava na Índia, a caminho de Nova Delhi. Sim, o intervalo entre a antepenúltima carta, anos atrás, e a penúltima, foi de pelo menos um ano e meio.

Quantas cartas ele teria escrito nesse meio tempo e que, ou não chegaram ou se perderam pelas loucuras da vida? Hoje fiz algo que nunca tinha feito antes: abri a gaveta grande debaixo do armário do porão e reli uma por uma as cartas do Peregrino.

Invadi a madrugada e só parei quanto os olhos congestionados sofriam procurando as letras totalmente embaçadas. Senti-me mortificado com as coisas que eu achava que já tinha aprendido há muito tempo, mas, que, relendo, reparei que simplesmente não as tinha retido devidamente.

O lado bom é que algumas lições, dessa vez, ficaram impregnadas, espero! Ia subindo para dormir quando vi mais correspondência por debaixo da porta. Mais uma carta! Parecia mais gorda que as suas irmãs anteriores. Parece que o fluxo missivo está se restabelecendo, como sangue fresco que volta a correr em veias ressecadas. Abri:

Há 20 quilômetros de Nova Delhi a cidade já existia. Eu podia ver o número de pessoas crescer e explodir como uma plantação de cogumelos depois de uma chuva de verão. Venenosos, mágicos. Surgiam de todos os lugares: becos, casebres, buracos no chão, do teto das casas, do topo das árvores, de dentro das latas de lixo e pendurados embaixo do ventre das vacas sagradas. Essa imagem em especial me persegue, tenho que me repetir, repetindo-a. Preciso repetir. Para que a cada repetição a mensagem para mim mesmo decante (descanse no fundo), e assim vá permeando os vários níveis de consciência.

Para que consolide algo que me falta lá dentro. A cada repetição mais se aprofunda e mais consolida o conceito. E aí a ideia vai se instalando, inserindo sua energia na estrutura psíquica. Cada novo ingrediente / ideia muda a fórmula geral. A soma de minhas moléculas se altera com cada novo visitante adquirido, com cada novo instante vivido. Somos outro a cada segundo, a cada novo pensamento que penetra, a cada novo momento que se impõe.

Os rostos dos milhares de indianos surpresos apareciam esmaecidos, despontando e transbordando em bando das janelas irregulares e fora de esquadro, repentinamente por trás dos meus ombros desguarnecidos, olhando para mim deitados de costas embaixo de uma carroça quebrada, uns sobre os outros, como se tivessem nascido assim, uma pilha infinita de corpos que se abraçavam, se inclinavam e encostavam um rosto no outro, mais como necessidade de apoio do que como demonstração de carinho, mirando aquele desconhecido com olhos ávidos, serenos, medrosos, negros, grandes, todos eles grandes e profundos. A Humanidade na sua expressão mais densa. A Humanidade.

Eu quero mergulhar em algo que sempre evitei: o caos urbano, o caos humano. Quero chafurdar no meu medo e descobrir nele e dele a luz. Tocar e sentir os corpos com seus fedores, doenças e loucuras. Quero me tocar o mais profundamente possível por meio do outro. Para que existe o outro? Pretendo descobrir. O que me incomoda é meu. O que te incomoda é teu.

Arriscar não ser o que sempre mentalizei, para descobrir um ser que sou e que não sei. Ou me perder no processo. Uma onda imensa, feita de milhões de seres humanos, mais letal que o maior tsunami, mais desafiadora que o inferno. Essa Humanidade é uma ferida feita de gentes e que da qual faço parte…uma pequena célula numa multidão material, construída com carne, pele, sangue e ossos, mas alicerçada pela alma invisível.

O paradoxo humano é esse: tudo que é palpável e visível é sustentado pelo que não é. Sem o sopro divino a matéria não se sustenta, não há vida. Só podemos evoluir quando acreditarmos no óbvio: o que não se vê é o real, a única realidade, onde se aninha o conteúdo. Eu sou uma ovelha que aprendeu a viver à parte do rebanho, buscando a verdade no deserto do silencio e na amplitude da solidão; e que agora pode juntar-se a ele e só agora e assim, contribuir e compreender.

Sidão Tenucci é surfista, escritor e diretor de marketing da OP Ocean Pacific. Viajou 55 países, deparando-se com as belezas selvagens de ondas e sereias. Publicou três livros: “Almaquatica”, Ed. Terra Virgem, em parceria com o fotógrafo Klaus Mitteldorf e o designer gráfico David Carson, o romance de aventuras “O Surfista Peregrino” e o livro de poemas ilustrados por 55 artistas, “Poentes de Amor”, pela Ed. Decor (todos disponíveis na Livraria Cultura).

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Semente Semanal #21 Xingu

Xingu

Antes de a nossa terra ser descoberta, muito antes de se tornar Brasil, já havia muita gente morando por aqui.

Semente Semanal #21 Xingu

Como sabemos, os índios viviam entre as árvores e rios antes do chamado homem branco chegar. Culturalmente, os índios vivem de maneira passiva e naturalista, dividindo o seu espaço com os outros seres que também respiram, sempre os respeitando.

No ano de 1500, as embarcações de Pedro Álvares Cabral chegaram nessa terra tão bonita. Os portugueses foram se familiarizando aos poucos com o povo nativo e assim, conquistaram a confiança dos índios.

Já se passaram 514 anos que acontecia o começo do que hoje vivemos. Os anos foram passando e a maneira cultural de viver dos europeus começou a dominar por completo o velho naturalismo dos índios. Com novas famílias surgindo e a imigração do povo português para o Brasil, o país cresceu financeiramente e entrou num sistema que vem evoluindo cada vez mais e mais.

Semente Semanal #21 Xingu

Será que os velhos índios que antes viviam na paz de sua terra e faziam da natureza uma amiga do dia a dia mudaram a sua cultura? Mudaram a sua maneira de pensar? Na verdade não. Os índios e as árvores simplesmente foram dando espaço e se adaptando à falta dele já que o homem branco vinha aumentando sua civilização e ocupando muito mais espaço. Essa evolução começou a virar um problema sério e com extrema necessidade de respeito na década de 40. É quando começa a aparecer a história de três irmãos que pensavam um pouco diferentes da maioria.

Os Vilas Boas foram três irmãos que decidiram entrar numa desbravadora aventura organizada e financiada pelo governo, onde voluntários iriam conhecer terras novas onde o tal governo poderia aproveitar e lucrar como sempre.

De uma aventura no meio do mato,  Leonardo, Cláudio e Orlando Vilas Boas se tornaram os primeiros a defender o direito daqueles que já estavam nas terras que para o governo era  “desconhecida”.

Semente Semanal #21 Xingu

Recentemente, no ano de 2012, passava-se em alguns cinemas o filme Xingu. O filme que tem apoio do Governo Federal conta com toda a grandeza merecida a história dos três irmãos defensores dos índios, que se juntaram aos nativos para lutar contra o tal crescimento absurdo do sistema, que estava acabando com as terras deles. A luta foi intensa, e a vitória foi alcançada. Partiu dos Vilas Boas a ideia de o governo ceder uma boa parte da terra para os índios. Um lugar só deles onde o governo não mexeria. Assim surgiu o Parque Nacional do Xingu.

Apesar da pouca divulgação do filme, muita gente assistiu, e  filme foi considerado um sucesso.

Hoje em dia o parque tem mais de 50 anos de existência e os irmãos Vilas Boas são considerados heróis nacionais.

Mas será mesmo que todo esse reconhecimento existe?

São considerados heróis aqueles que com muita luta conseguiram convencer o governo a parar e conceder um espaço só para índios dentro de uma terra onde quem nasceu e recebeu o povo branco foram os próprios índios.

Parece estranho né?

Então o que devemos considerar aquelas que deixaram a cultura e tradição indígena para trás e começaram a dominar todos e todos os espaços para sua própria comodidade? Talvez os vilões?

É claro que isso tudo foi o começo do que vivemos hoje e que já estamos acostumados, comprar, vender e crescer hoje é normal em todas as famílias. Mas será que eticamente, lá no começo, não fomos um pouco “folgados”?

Talvez todos nós soubéssemos a resposta para essa pergunta. Fato é que hoje pouca coisa pode ser feita, e pouca gente pensa diferente como os três irmãos da década de 40.

Hoje fazemos parte do sistema governamental e basicamente nos resta fazer a nossa parte, batalhar e resolver problemas para conseguirmos a nossa sobrevivência.

Semente Semanal #21 Xingu

Afinal os heróis nacionais são aqueles que resolveram um dos grandes problemas criados pela falta de respeito e abuso do tão nobre e reconhecido “Governo”.

Parece que hoje, nós todos somos heróis nacionais.

Obrigado a você que respeita a o próximo.

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